sábado, 20 de junho de 2015

JARTURICE 170

                                            
                      PROBLEMAS POLICIAIS – 173 - # 170
                 (Diário Popular # 5338 – 17.08.1957)                                                                                    
Pelo espírito dos alunos das classes de criminologia do Professor Fordney, passavam visões de grossos bifes de veado, cozinhados em sua casa, por Mary, a preciosa governanta do professor.
Fordney riu por entre dentes – sabia que pensamentos povoavam a cabeça dos rapazes – quando os alunos lhe perguntaram se, finalmente, apanhara o veado.
«Sim… foi uma esplêndida excursão e uma aventura como nunca vivi, em toda a minha vida de caçador. Querem ouvir a história?»
Toda a classe olhou o professor com desconfiança – porém, qualquer coisa que aliviasse a tensão de um trabalho especialmente difícil seria bem-vinda.
«Andava pelo mato havia perto de três horas e não tinha ainda visto um único veado – contou Fordney. Começou então a cair neve, uma neve fina e macia que depressa cobriu o chão. Ao olhar para o outro lado do estreito vale, avistei um dos mais belos veados que até hoje vi. O animal, logo que me sentiu, voltou-se e pôs-se a subir a colina, galopando desesperadamente. Apontei cuidadosamente e disparei. Que tiro! Vi o veado cair, depois debater-se furiosamente sobre a neve, durante, talvez dois minutos – enquanto eu me aproximava correndo – e, por fim, levantar-se, afastando-se rapidamente, como se nada lhe tivesse sucedido.
«Mas, a parte mais singular do caso é a seguinte: quando cheguei ao local onde o veado caíra, não encontrei nem pinga de sangue nem vestígios de pêlo; sabia, contudo, que a minha bala lhe acertara, pois eu encontrei provas concretas do facto!».
Sorrindo, Fordney examinou os alunos. Depois, acrescentou: - «Sei que alguns de vocês estão habituados a caçar, por isso, serão, sem dúvida, capazes de me dizer o que aconteceu».
         «Não é difícil – respondeu, vivamente, Sam Welch, ansioso por exibir a sua ciência ante os colegas. – O senhor…»

Será o leitor capaz de deduzir como pode Fordney ter atingido o veado, sem que este deixasse vestígios de sangue ou pêlo no sítio em que caiu?    

       (Divulgaremos amanhã, a solução oficial deste caso)


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Solução do problema # 169
(Diário Popular # 5331 – 10.08.1957)

     Fordney encontrara o cadáver de Grafton no centro da sala de estar. Conrad dissera que o morto caíra no chão, logo depois de ter bebido. Contudo, o copo estava sobre uma mesa encostada à parede, por baixo do retrato! Mais tarde, Conrad confessou que envenenara a aguardente de Grafton, na cozinha, onde ambos tinham bebido: em seguida, arrastara o corpo para a sala de estar, com o fim de acrescentar à narrativa o retoque dramático da cena em frente do retrato. O pânico que, depois, o tomara levara-o a colocar, inadvertidamente, o copo de Grafton em cima da mesa. Este erro lavrou-lhe a sentença de morte. Fora Conrad, evidentemente, o autor da «confissão» da burla em que ele próprio de encontrava implicado.   

Jarturice-170 (Divulgada em 20.Junho.2015)





APRESENTAÇÃO E DIVULGAÇÃO
DE: J A R T U R
jarturmamede@aeiou.pt

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