domingo, 10 de setembro de 2017

POLICIÁRIO 1362



ENGENHEIRO BALEADO NO SEU GABINETE

O confrade Daniel Falcão causou surpresa no Mundo Policiário com o regresso, na passada semana, dos problemas criptográficos, uma prática frequente em tempos mais remotos, mas que acabou por cair em desuso, não só porque muitos dos seus mais acérrimos cultores foram desaparecendo, mas também porque a internet se assumiu como um aliado poderoso na resolução dos enigmas, quase dispensando as infindáveis buscas em bibliotecas, na procura da “chave milagrosa”!
Não satisfeito com esta “maldade”, como alguns confrades caracterizaram o problema da passada semana e logo nos reportaram os desabafos, o confrade bracarense resolveu prolongar a “agonia criptográfica” por mais uma semana e apresentar mais um desafio com a mesma temática, mas agora com as características de escolha múltipla, integrando a parte II da prova n.º 8.
Uma agradável incursão, que se saúda e certamente fará as delícias de alguns (muitos?) e o azedume de outros (poucos?).

CAMPEONATO NACIONAL E TAÇA DE PORTUGAL 2017
PROVA N.º 8 – PARTE II
“QUATRO SUSPEITOS E UMA PISTA” – Original de DANIEL FALCÃO

Os acontecimentos que hoje vos narramos ocorreram há um bom quarto de século, num dos primeiros dias de Verão. Como tudo era diferente. Seriam muito poucos, caso fossem alguns, que imaginariam o modo como as redes sociais e os telemóveis iriam modificar a nossa forma de agir e relacionar com os outros. Mas, quem imaginaria que estávamos a poucos horas de um momento marcante na história do policiário em Portugal.
Mas este assunto não é o foco do texto que me proponho redigir. Em vez disso, quero falar-vos sobre um homicídio cometido nessa época, nunca até hoje desvendado. Afinal, parece que existem crimes perfeitos.
Um engenheiro de telecomunicações foi encontrado morto no seu gabinete de trabalho, situado na empresa de que era o único proprietário. Fora baleado no peito e tivera morte quase imediata.
A vítima foi encontrada sentada, com o peito e os dois braços sobre a secretária, estando o braço direito estendido na direção do telefone, tendo ficado com a mão parcialmente sobre o mesmo. Parecia que a sua derradeira intenção seria discar um número de telefone, pois a ponta do seu dedo indicador estava no espaço circular sobre o algarismo oito.
Depois de passarem o gabinete da vítima a pente fino, as autoridades apenas encontraram, sobre a secretária, uma folha de papel que lhes chamara a atenção, embora não soubessem entender o seu significado, caso tivesse algum. Nessa folha apareciam escritos quatro números, cada um com três algarismos. Um desses números, 374, tinha um círculo em torno dele.
Na época, ninguém conseguiu perceber o que aqueles números, e concretamente o que era destacado pelo círculo, representaria. Mas algo lhes dizia que poderia ser uma pista para a identidade do criminoso.
Até porque, no decurso da investigação, o número de suspeitos foi delimitado a apenas quatro, exatamente tantos quantos os números redigidos pela vítima. Claro que era possível que não existisse qualquer associação entre os números e os suspeitos.
Tal como já avançamos, as suspeitas recaíram sobre quatro homens que tinham tido em tempos ligações com a vítima e que, naquela tarde, como vários testemunhos puderam confirmar, tinham passado pelo seu escritório. Em todos os casos, quem naquela tarde passou defronte da porta do escritório, fechada, percebeu que estava a decorrer uma acalorada discussão.
Confirmou-se, mais tarde, que todos os suspeitos tinham uma desavença com a vítima e todos eles tinham referido como motivo do encontro naquela tarde terem decidido resolver, em definitivo, essa desavença.
Francisco Manuel Sousa, residente em Chaves, acusava a vítima de se ter envolvido com a sua mulher e fora-o avisar para, de uma vez por todas, se afastar dela. Já José Carlos Vieira, residente em Vila Real, acusava a vítima de lhe ter pedido emprestada uma grande soma de dinheiro, a qual tardava a ser devolvida. Por sua vez, Luís Jorge dos Santos, residente em Santo Tirso, recebera uma sugestão para se envolver num negócio, mas que afinal não passava de uma fraude. Por fim, Manuel da Costa Antunes, residente em Espinho, antigo sócio da vítima, tardava em receber o valor pelo qual vendera a sua quota na empresa.
Será que algum dos detetives que tem concorrido ao longo dos últimos 25 anos na secção Policiário é capaz de indicar quem teria sido o criminoso?

A – Francisco Manuel Sousa
B – José Carlos Vieira
C – Luís Jorge dos Santos
D – Manuel da Costa Antunes


E pronto.
Agora é chegada a vez dos “detectives” regressarem à Criptografia, que o confrade Daniel Falcão resolveu servir em dose dupla!
Como habitualmente, nestes problemas de escolha múltipla apenas há que indicar a alínea que cada “detective” entenda ser a acertada, sem necessidade de mais explicações, o que, no dizer de alguns, garante uma probabilidade de acerto de 25%!
Até ao próximo dia 30 de Setembro, impreterivelmente, aguardamos as propostas de solução de ambos os enigmas (partes I e II), para o que poderão usar um dos seguintes meios:
- Pelos Correios: Luís Pessoa, Estrada Militar, 23, 2125-109 MARINHAIS;
- Por entrega em mão ao orientador do espaço, onde quer que o encontrem.

Boas deduções!

Sem comentários: